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Sobre aulas de violão, academia e filhosá

Carol e Gui:
Nunca me arrependi de ter saído de uma escola para me dedicar a vocês. Na época, só tínhamos a Carol, mas você já fazia parte dos nossos sonhos, Gui.

De lá pra cá, já reclamei de ficar apertada em algumas situações bem específicas. Mas nada que tenha me feito querer arranjar outro emprego. 

No tempo em que trabalhei o dia inteiro (chegava às 16h), não vi lucro algum. Pirei. Surtei e nunca mais pensei em trabalhar de novo desta forma. Veio a possibilidade, e pelo cargo, eu tentei. Mas graças a Deus, não passei. No fundo, não era o que eu queria. 

No entanto, confesso que de vez em quando, ao ver as pessoas ao meu redor estudando, fazendo academia, terminando o Mestrado, fazendo aula de violão, indo às sessões de estética, fico pensando:
_Poxa...eu não faço nada. Trabalho meio período e ainda não consigo fazer nada disto. O pessoal trabalha o dia inteiro e ainda tem tempo para aprender violão?! Fico.me sentindo um zero à esquerda. 

Daí, lembro o motivo pelo qual não faço (por enquanto nada disto). E o motivo se chama "infância".

Quando paro para pensar que você, Carol, já vai fazer sete, e que você, Gui, já está quase com cinco, penso no quanto este momento das nossas vidas passa rápido. 

Estou com uns quilinhos a mais? Sim. 
Não toco nenhum instrumento? Não. 
Não faço sessões estéticas? Nem pensar. 

A única coisa que me dou ao luxo é me enfiar no quarto por uma hora para ler ou estudar um pouco quando o pai chega, ou deixá-los com a vó um pouco nos finais de semana. Tenho as manhãs livres para isto também. Mas por mais que as pessoas não percebam, divido meu tempo de "Só Dayane", com a "Dayane-diarista-organizadora-lavadeira-mãe-babá-recreacionista". E isto não é reclamação. Eu não reclamo de ser tudo isto, porque estar com vocês vale todo o esfoŕço. 

Voltando ao assunto. Fiquei besta mesma de ver que uma conhecida, que trabalha o dia inteiro vai ter tempo para fazer aula de violão. A primeira coisa que me veio à mente foi uma certa inveja, mas em dois segundos, pensei: "menos tempo com a filha". 

Não tem jeito, Carolina e Guilherme. Eu amO muitas coisas. Tenho sede de aprender sobre o mundo todo. Mas nada, nada, nada é maior que estar com vocês. 

Eu fico doidinha quando estou com vocês, porque quanto mais minha bateria vai acabando, mais energia vcs tem...rs...mas toda vez que estou longe, fazendo algo diferente, minha saudade é enorme. E o prazer que eu achava que teria, vai embora. 

E eu sei que isto vai passar. E eu quero que passe. Vocês vão crescer e depender cada vez menos de mim. Por isto que não consigi desgrudar se vocês. Eu louvo a Deus por me dar a oportunidade de trabalhar meio período, de ficar com vocês e de ter coragem para fazer o que é certo: que é me dedicar a vocês não só com bens materiais, uma boa educacão e passeios legais. Mas principalmente por estar presente o máximo de tempo que posso ficar. Porque eu sei que este tempo vai passar. Então espero que cada minuto, cada hora, cada dia passe bem devagar e que eu consiga registrar no meu coração o máximo da infância de vocês. 

Assim, chego à conclusão que se eu pidesse  dava um tapa na cara de algumas pessoas para que acordem e percebam que corpo vai apodrecer de um jeito ou de outro. Que aulas de violão podem ser feito com 40, 50, 60 anos. Que Mestrado não tem idade máxima para sua conclusão. Mas os filhos crescem.

Eu amo vocês. Obrigada por me trazerem à única realidade que importa: o amor de vocês e a PRESENÇA de vocês no meu dia-a-dia. 


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