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Desculpe, papai, mas vou cortar meu cabelo

Desculpe, Papai...

Carol e eu estávamos tomando banho quando ela fala que quer cortar o cabelo no ombro.

Logo ela, que sempre quis o cabelo grande “igual da Rapunzel”, decide do nada, mudar o visual.

Enquanto tomamos banho, pergunto porquê. Ela fala que quer. Simples assim. Falo para o pai, que não gosta nada da ideia.

Ele acha que a influenciei porque semana passada, ela me viu cortar as pontas. Talvez sim. Mas mesmo assim, não havia falado nada.

Confesso que na hora, bateu aquele medo de cortar. Perguntei se ela não iria querer o cabelo grande de novo. Disse que não. Decidida. Firme. Animada. Ok. Peguei a tesoura e cortei as pontas. 

Ela olha no espelho, pega o cabelo e fala:
_Mãe, mas ele ainda tá grande. Eu quero aqui, mostrando o ombro novamente. 

Pego a tesoura novamente e desta vez, corto como ela pediu. O pai, olha de rabo-de-olho. Não gosta de cabelo curto. 

Desculpe amor, mas se tem uma coisa que a Carol precisa aprender é a se amar do jeito que ela quiser. 

Precisa aprender a não viver em busca de aprovação dos outros. E principalmente a seguir um padrão imposto pela sociedade. 

Parece bobagem. Mas nós, mulheres, sabemos do que estamos falando. E se existe algo libertador, é cortar o cabelo. Não...não só as pontinhas. Cortar mesmo. Meter a tesoura. 

Acho que toda mulher deve passar por esta experiência, pelo menos uma vez na vida. Eu já passei. Tô pensando em repetir a dose...

Claro, a gente gosta de cabelo comprido. O meu mesmo, neste momento da minha vida, no auge dos meus 31 anos, está comprido. Mas amor, desculpe...até quando eu quiser. 

E sei que você, mesmo não gostando, vai me respeitar e me amar. E é por isto que eu te amo. Não é qualquer fracote que aguenta mulher de opinião. Mulher que a cada dia se descobre uma nova pessoa. Que a cada dia se ama mais, do jeito que Deus a criou. 

Algumas coisas, nós mulheres, faremos para agradar vocês, queridos companheiros. Mas antes, nós olharemos no espelho e diremos:
_É assim que ele vai me amar hoje. 

E Carol...ah, Carol...você a cada dia me surpreende. Minha doce e forte Carolina.

Depois de cortar, quando volto da sala e a vejo se admirando no espelho do meu quarto, sorrindo o sorriso de satisfação e autoestima, eu não preciso de mais nada: meu dia foi salvo pela menina super poderosa. 

Por último, lembramos algo ao Papai:
_Cabelo clesce, pai!

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